| Turista de gravata Empresas apostam nas viagens de incentivo para estimular funcionários. O resultado? Aumento de vendas Qual a viagem dos seus sonhos? Conhecer a África do Sul, com direito a amamentar filhotes de leão e jogar futebol num dos estádios que servirão de palco na Copa do Mundo de 2010? Visitar a Áustria e sair pelo interior do País, guiando um Rolls Royce ou uma Ferrari da década de 50? Conhecer a fábrica da Porsche em Stutgart e viajar com um modelo da marca pela Alemanha? Isso nunca passou pela sua cabeça? Nem daria, essas atrações não fazem parte do roteiro clássico das agências de viagens. | |  Leone Filho, da Agaxtur: Pacotes corporativos respondem por 31% das receitas | São pacotes especiais, organizados sob encomenda para empresas que querem premiar seus funcionários. Bem vindo ao mundo do turismo corporativo ou das viagens de incentivo. É uma modalidade que cresce a passos largos no Brasil e vem contribuindo com grande parte das receitas das agências de turismo. De acordo com o diretor da Associação Brasileira das Agências de Viagens, Mauro Schwartzmann, o fenômeno ganhou fôlego na década de 90 e desde 2000 cresce de 30% a 40% ao ano. Hoje, esse é um mercado de mais de US$ 1 bilhão no Brasil, calcula Schwartzman. |  Bobrik, gerente da Itaú Seguros: Grupo levou 222 corretores a Bariloche | | O turismo de incentivo nasceu dentro das empresas, como forma de estimular os funcionários a cumprirem metas de vendas e alcançarem resultados pré-estabelecidos pela corporação. O curioso é que as companhias, geralmente, não gastam um centavo para premiar seus funcionários. Isso porque os custos com tais viagens já estão embutidos nas metas a serem alcançadas. No final das contas, é o próprio funcionário, indiretamente, quem paga o pacote. Para as agências, é um grande negócio. Elas ganham, em média, 10% do valor total da viagem e algumas podem custar até US$ 12 mil por pessoa. Nessas viagens, carregamos o cliente no colo, diz Aldo Leone Filho, vice-presidente da Agaxtur. A operadora investe fortemente nesse nicho desde 2000, quando o segmento representava 1% das receitas da operadora. Agora responde por 31%. Leone Filho só não revela o faturamento da Agaxtur. | O grande atrativo do negócio é satisfazer todas as partes envolvidas. O premiado é recompensado com muitos mimos, e o patrocinador, com o crescimento das receitas da empresa. Há 12 anos, a Itaú Seguros promove esses eventos e vem conseguindo ano a ano aumentar as vendas dos seus produtos entre 12% e 18%. Em 2005, por exemplo, ela levou para Bariloche os donos das corretoras que venceram a campanha de vendas. No total, foram 222 pessoas à cidade argentina. Eles foram tratados a pão-de-ló, diz Edelson Bobrik, gerente de eventos e viagens da seguradora. A divisão de tintas da Basf também investe no negócio. No ano passado, bancou um cruzeiro pelo Mediterrâneo para os donos das principais lojas de tintas do País, que superaram em 6% a meta de vendas estipulada pelo fabricante da marca Suvinil. Este ano, a empresa repete a dose com um apelo irresistível: os escolhidos irão para a Copa da Alemanha. O melhor desses eventos é a oportunidade de colocar em contato distribuidores e os principais executivos da empresa, diz Rui Goerck, vice-presidente da Basf, responsável pela área de tintas na América do Sul. As instituições financeiras são as maiores adeptas dessa ferramenta de negócios. Uma delas, bancou uma viagem para a Suíça para que seus diretores conhecessem a fábrica dos sofisticados relógios Patek Philippe. Durante um jantar, realizado num castelo, nem mesmo o seleto grupo de 30 executivos de ponta do sistema financeiro conseguiu disfarçar o deslumbramento. O presidente da Patek Philippe apareceu no local e presenteou cada convidado com um relógio. Detalhe: o preço de um modelo básico da marca não sai por menos de R$ 20 mil. O mimo era parte do pacote. A operadora que organizou a viagem, a Sobratur, de São Paulo, já tira das viagens de incentivo 40% da sua receita. Segundo Amauri Caldeira, dono da Sobratur, o segredo desse tipo de turismo é analisar bem o público-alvo para conseguir agradá-lo. Um fim de semana num hotel cinco estrelas de São Paulo tem o mesmo peso que uma viagem para Tóquio, depende do perfil do grupo, diz Caldeira. O que importa é estar na lista dos premiados. Fonte: Isto é Dinheiro - 24/05/2006 - Por Denise Ramiro |